A alegria na obra de Anselmo de Aosta

Manuel Vasconcelos

Resumo


Anselmo conclui, em sua obra, uma reflexão na qual busca, através do encadeamento lógico da razão, fazendo uso da mais rigorosa discussão dialética, dar razões daquilo que ama e em que acredita. Não raras vezes, oferece ao leitor pequenas “pausas argumentativas”, nas quais não omite que os frutos do seu esforço causam genuína alegria. No Monologion VI, 19, 15 – 20, por exemplo, ao verificar a conformidade do objeto da fé com o rigor dialético, Anselmo expressa seu júbilo pelos resultados obtidos e a alegria se torna incentivo para prosseguir no esforço “sola ratione”. No Proêmium do Proslogion (93, 30 – 994,2), o autor declara ter decidido colocar, por escrito, os mesmos resultados, a fim de proporcionar alegria aos eventuais leitores. Não se deve esquecer de que o Proslogion – especialmente seu “argumento único” – lhe proporcionou um sentimento de grande satisfação, como ele mesmo revela (cf. Proemium, 93, 16 –19). Tal sentimento é atestado por Eadmero, seu biógrafo, ao fazer referência às grandes dificuldades enfrentadas pelo autor à procura do “argumento único” e, por fim, a grande alegria proporcionada pelo encontro (cf. Vita Sancti Anselmi I,19). Nosso estudo pretende, pois, divisar melhor esta relação entre rigor argumentativo e alegria, presentes no pensamento anselmiano.

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